7 fatos sobre a Síndrome do Intestino Permeável que você não sabia

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A Síndrome do Intestino Permeável (ou Permeabilidade Intestinal) é uma condição digestiva que afeta o revestimento dos intestinos. Esta situação não é considerada uma doença. Mas, na verdade, um problema que pode estar presente em diversas situações.

Na Síndrome do Intestino Permeável, as espaços nas paredes intestinais permitem a passagem de bactérias e outras toxinas para a corrente sanguínea.

Estima-se que cerca de 1 em cada 3 pessoas tenham problemas com a permeabilidade intestinal. Sendo que cerca de 5% dos indivíduos não tem nenhuma outra doença.

1 – O que é barreira intestinal?

Nos humanos, a barreira intestinal cobre uma superfície de cerca de 400 m2 (5 quadras de futebol!) e forma a maior interface com o ambiente externo. Ela impede a penetração de microrganismos, toxinas e antígenos através da parede intestinal e a perda de água com eletrólitos, permitindo a absorção de nutrientes e a secreção de resíduos.

Para manter estas características, a barreira intestinal consiste em componentes físicos, químicos e biológicos incluindo muco, células do intestino seladas através de junções, células imunitárias e microbiota intestinal.

O muco é a primeira linha de defesa:

Ela impede a adesão e permeação de microorganismos e toxinas através da parede intestinal, impedindo assim o desenvolvimento de inflamação. É também responsável pela reidratação, regeneração e atua como um escudo contra as enzimas digestivas.

Microbiota intestinal:

Em contraste com a camada interior do muco, que é estéril, a camada exterior do muco é habitada por bactérias, especialmente Bacterioides acidifaciens, Bacterioides fragilis e Akkermansia muciniphila, que contribuem para manter a função de barreira intestinal, principalmente limitando o crescimento de estirpes patogénicas e regulando vias bioquímicas importantes para a preservação da estrutura e função do tracto gastrointestinal.

A modificação da composição da microbiota intestinal (disbiose intestinal) pode resultar na diminuição da expressão das proteínas de junção, na diminuição da produção e secreção de muco ou no aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias e, consequentemente, na disbiose intestinal induzida. A disbiose intestinal é caracterizada pela expansão de catobiontes como a E. coli e perda de comensal, o que resulta numa diminuição da diversidade microbiana.

Estudos sobre a influência da disbiose na saúde intestinal estão em curso, no entanto, a multiplicidade e diversidade de estirpes bacterianas que habitam o trato gastrointestinal humano tornam esses esforços difíceis.

Até agora, não foi claramente demonstrado que nem uma única espécie nem um grupo de espécies bacterianas causem a Síndrome do Intestino Permeável.

Um elemento crucial da barreira intestinal física é formado pelas células do intestino:

A parede do intestino delgado é composto por uma única camada de células colunares, principalmente enterócitos absorventes, mas também cálice secretor, Paneth e células enteroendoendócrinas.

Células imunitárias:

A parede do intestino produz células imunitárias inatas e adquiridas que secretam IgA, citocinas, quimiocinas e proteases de mastócitos, bem como mecanismos endócrinos e secretomotores mediados pelo sistema nervoso entérico, que resultam em mobilidade propulsiva intestinal. Essa é uma das principais defesas da permeabilidade intestinal.

2 – O que causa a Síndrome da Permeabilidade Intestinal?

Uma alteração na estrutura da barreira intestinal devido a inflamação, doenças crônicas ou má nutrição pode levar ao comprometimento da permeabilidade intestinal. De acordo com a hipótese da Síndrome do Intestino Permeável (ou Síndrome da Permeabilidade Intestinal), a hiperpermeabilidade intestinal pode permitir que microrganismos nocivos, as suas toxinas e antígenos “vazem” para a corrente sanguínea e consequentemente desencadear reações sistêmicas.

3 – Quais doenças que causam a Sindrome do Intestino Permeável?

Até há pouco tempo, a Síndrome da Permeabilidade Intestinal estava associado a círculos de medicina alternativa, no entanto novas evidências indicam a sua ligação entre doenças gastrointestinais e não gastrointestinais. Estas incluem:

  • Doença Celíaca
  • Doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn ou Retocolite)
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Diabetes
  • Depressão
  • Obesidade
  • Etilismo
  • Uso de antibióticos e anti-inflamatórios
  • Doença de Parkinson
  • Autismo
  • Alergias

4 – Dieta para Síndrome da Hipermeabilidade Intestinal:

É bem conhecido que os componentes dietéticos podem alterar significativamente a integridade da barreira intestinal. A influência dos hábitos alimentares na fisiologia intestinal é claramente visível nas diferenças nas taxas de incidência de doenças intestinais entre países industriais e países em desenvolvimento.

As doenças que estão ligadas à hiperpermeabilidade intestinal tendem a localizar-se em países ocidentalizados, onde predomina uma dieta rica em gorduras e carboidratos refinados. Além disso, vários estudos in vivo apoiam a ligação entre uma dieta rica em gorduras e perturbações na fisiologia do trato gastrointestinal.

A influência dos carboidratos na Barreira Intestinal:

Os carboidratos são classificados como uma das três principais classes de macronutrientes.

De acordo com muitos estudos, os carboidratos podem afetar a função da barreira intestinal. A maioria dos relatórios neste campo concentra-se no papel da frutose, dos galacto-oligosacáridos, e das fibras (inulina solúvel e celulose insolúvel).

Desses, a frutose em excesso – como as encontradas em produtos industrializados, causaria o maior dano à barreira intestinal. A frutose está presente na forma de “xarope de milho”, como em barra de cereais, biscoitos, bolos, sucos de caixa e refrigerantes.

Os carboidratos na forma de galacto-oligosacáridos (encontrados em cebola, alho, banana, soja, chicória, entre outros) e as fibras solúveis ou insolúveis seriam protetores da barreira intestinal.

Alimentos ricos em fibras:
  • Leguminosas: feijão, grão de bico, lentilha, ervilha, amendoim
  • Sementes oleaginosas: linhaça, chia, farinha de coco, castanha-do-pará, amêndoa, semente de girassol, gergelim, macadâmia
  • Verduras e legumes: abóbora, alho-poró, alcachofra, pimentão, batata-doce, brócolis, couve-flor, vagem, aspargos, palmito, cenoura, beterraba, milho, ervilha verde, folhas verdes (couve, espinafre, agrião)
  • Frutas secas: figo, pêssego, ameixa, uva passa, tâmara, damasco
  • Frutas: goiaba, jaboticaba, amora, abacate, ameixa, maçã, pera, pitanga, acerola, manga, papaia, kiwi, maracujá, uva, laranja, tangerina, banana, coco

A Influência da gordura na Barreira Intestinal:

Estudos demonstraram que a gordura poli-insaturada – rica em ômega 3-6-9 – é protetora da barreira intestinal diminuindo a Síndrome do Intestino Permeável.

Alguns alimentos que mais contém essa gordura boa são:

  • Verduras: Agrião, couve, alface, espinafre e brócolis
  • Leguminosas: aveia, arroz, feijão, ervilha e soja
  • Peixes marinhos: sardinha e salmão

Resumindo, uma boa dieta para a Síndrome do Intestino Permeável seria uma dieta com poucos produtos industrializados que contenham frutose e rica em alimentos que contenham fibras e gordura poli-insaturada.

5 – Qual exame para Síndrome do Intestino Permeável?

Embora pesquisas recentes sugiram que a causa da Síndrome do Intestino Permeável é multifactorial e diferente para cada indivíduo, existem dois testes utilizados para o diagnóstico clínico da Síndrome do Intestino Permeável, nomeadamente o teste duplo do açúcar e a zonulina sérica.

O teste do açúcar duplo envolve o consumo oral de dois açúcares após um jejum de uma noite, seguido da recolha de urina durante um determinado período de tempo. O princípio fundamental subjacente ao teste do açúcar duplo é o tamanho diferente da molécula de monossacarídeo e dissacarídeo. Quando a parede do intestino é saudável, o monossacarídeo (manitol) é facilmente absorvido enquanto que o dissacarídeo (lactulose) é mal absorvido e volta a ser absorvido no intestino. Durante a Síndrome do Intestino Permeável, o dissacárido é absorvido resultando numa proporção aumentada entre a lactulose e o manitol na urina.

Enquanto que a zonulina pode ser medida tanto no soro como nas fezes. A zonulina é considerada como o único biomarcador mensurável que reflete uma deficiência da barreira intestinal. No entanto, tem sido relatado que a zonulina é liberada de muitos processos, incluindo tecido adiposo e proposto como sendo um biomarcador da síndrome metabólica, obesidade, inflamação e saúde precária mais do que a Síndrome do Intestino Permeável.

No entanto, a zonulina é reconhecida como uma garantia precisa da Síndrome do Intestino Permeável.

Qual o tratamento para a Síndrome da Permeabilidade Intestinal?

Como ja disse a Síndrome do Intestino Permeável não é uma doença e sim uma consequência de alguns distúrbios no intestino. Dessa forma não existe um tratamento específico para a Síndrome do Intestino Permeável.

Para melhorar a permeabilidade intestinal deve-se combater a causa do problema.

Em alguns casos, a redução da ingesta de bebida alcoólica e a redução de alimentos ricos em carboidratos simples (como açucar e frutose ) pode ajudar a diminuir a permeabilidade intestinal.

Ainda em relação à dieta, o aumento na ingestão de fibras e das gorduras poli-insaturadas vão melhorar a barreira intestinal diminuindo a hiperpermeabilidade do intestino.

Nas pessoas que tem intolerância ao Glúten, a retirada dessa proteína da alimentação também é capaz de restaurar a integridade da parede intestinal. Em quem não tem intolerância ao Glúten essa proteína não causaria nenhum problema na barreira intestinal

Se você tem Depressão, Síndrome do Intestino Irritado, Obesidade ou qualquer uma das condições que causam a Síndrome do Intestino Permeável, o tratamento dessas condições promovem a melhora na barreira intestinal.

7 – Conclusão

A Síndrome da Permeabilidade Intestinal (ou Síndrome do Intestino Permeável) é uma alteração na parede intestinal. Normalmente o intestino é seletivo na passagem de nutrientes pela sua parede, formando uma barreira protetora contra substâncias nocivas. Na presença da síndrome, porém, essa proteção diminui favorecendo a passagem de bactérias e outros agentes nocivos à saúde.

A Síndrome do Intestino Permeável portanto não é uma doença, mas uma condição presente em alguma condições clínicas.

Uma alimentação desregulada, a ingesta de bebidas alcoólicas, alteração de humor e doenças intestinais são as causas mais comuns para a Síndrome do Intestino Permeável.

O teste duplo do açúcar e a dosagem da zonulina sérica são os exames para avaliação da permeabilidade intestinal. No nosso meio, o teste duplo do açúcar está mais facilmente disponível.

O tratamento da Síndrome da Permeabilidade Intestinal baseia-se no tratamento da causa. Eliminação de bebida alcoólica e mudança na alimentação, se for o caso ou o tratamento das doenças que alteram a barreira intestinal.

Fonte: https://www.karger.com/Article/FullText/448957

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6121241/

https://www.karger.com/Article/FullText/447252

https://www.cghjournal.org/article/S1542-3565(13)00926-9/fulltext

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